domingo, 27 de junho de 2021

Leite azedo!

                                                                 Desenho: William Paraizo


O leite azedou. Que bom! Você pode se perguntar: Como assim? Para entender é preciso conhecer a minha história com o leite.

Pela manhã um senhor com uma carroça deixava uma garrafa de vidro com leite e pegava a garrafa vazia, vazia não, com água normalmente pela metade para ficar mais pesada, deixada em cima do muro ou do relógio medidor de energia. Se acontecesse de não estarmos em casa era só avisar um vizinho para guardar o leite.

Lavar a garrafa sempre foi o mais divertido: vidro é muito bom para guardar alimentos, mas o leite com o tempo vai manchando a garrafa e cada família tinha a sua receita para lavar a garrafa, alguns usavam feijão ou arroz misturados com água que era chacoalhado até sumirem as manchas. Eu tinha maneira especial de fazer isso e com muita satisfação deixava a garrafa brilhante.

Ferver o leite era a diversão, era comum me gabar: Eu não deixo o leite transbordar! Quando o leite fervido esfria a nata sobe, e quem fervia o leite também se incumbia de guardar essa nata em um pote e colocá-la no congelador, as geladeiras ainda não tinham freezer, quando se juntava uma boa quantidade já tínhamos o ingrediente principal para bolachinhas de nata.

Estava lá olhando o leite ferver para desligar na hora certa e algo deu errado – o leite azedou. No verão o leite azeda facilmente, era demorar um pouco mais para ferver… Isso nunca foi triste: colocava açúcar no canecão e com uma colher de pau ia mexendo e fazia um doce que durante anos em minha vida chamei de doce de leite azedo, hoje descobri que esse doce é chique e tem um um nome ainda mais elegante – ambrosia.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Livro: Vencer ou vencer de Raul Drewnick

 

Neste livro temos a história da Lucinha, uma jovem de 18 anos que busca o sonho de jogar vôlei e com muita garra consegue mais do que esperava.

Quando ela sai do interior e vai para São Paulo, fazer o teste para o time juvenil, alguns imprevistos acontecem e com grande esforço consegue a vaga para o time juvenil de vôlei – Unidos.

Durante os jogos, Lucinha conhece Fábio um jogador de basquete dos Unidos e começam a namorar. Uma pessoa misteriosa aparece algumas vezes para conversar com Fábio e Lucinha tenta descobrir quem é, aos poucos esse mistério é revelado. Grandes surpresas acontecem tanto para o Fábio como para Lucinha…

O livro é envolvente, é difícil parar de ler, nos faz pensar em quão bom é conhecer alguém especial e praticar um esporte, nos enche de vontade de se movimentar.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Sobre o livro: Histórias do escritor – Moacir Sciliar



  Essa coleção de contos escolhidos pelo escritor Moacir Sciliar é sem sombra de dúvida um prazer duplo.
  O prazer da leitura de ótimos contos, muito humanos. Apreciei o conto “Acender uma fogueira” de Jack London, uma história emocionante – suspense até a última linha.
  Outro prazer é que após cada conto há uma pequena crônica com até 3 páginas sobre o porque daquela história está ali, isso é tão gostoso: é como ter alguém para conversar sobre livros, histórias e literatura.
  Contos mundialmente famosos, inclusive autores brasileiros, fazem parte da seleção. Pode ser que já conheça alguns contos dessa coleção, ou tenha lido outras obras dos autores escolhidos. Qual o seu conto ou crônica favorito?

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Sobre o livro "Na cozinha com Nigella" de Nigella Lawson

Os grandes prazeres da vida vêm das coisas pequenas e muitas vezes corriqueiras. Cozinhar e conversar podem ser fontes de prazer.
Ler um livro é a oportunidade de conversar sozinho, é um prazer. “Na cozinha com Nigella”  é mais que um livro de receitas. Nele não há apenas receitas ou instruções, é sobre o prazer de cozinhar.
As sessões do livro têm nomes especiais como: “O que tem para o jantar”,  “O sonho do lar acolhedor”, um bem divertido é: “ A cura culinária para a dominguite à noite”.
Cada sessão acompanha verdadeiras crônicas sobre o prazer de cozinhar, algumas risadas não faltaram. Acredito que todos os que gostam de cozinhar em casa e para família possuem hábitos até um pouco diferentes dos outros, eu mesmo nunca liguei pra ordem de comer a sobremesa, às vezes antes, outras durante a refeição e até depois, quando li que a autora também tem esse conceito e até afirma que se pode preparar um doce que equivale a uma refeição completa, soltei uma gargalhada boa:
-Tem mais gente que pensa como eu!
Outra crônica que me fez sentir confortável foi sobre o prazer de cozinhar pra si mesmo – isso significa: usar pimenta a vontade!
As receitas do livro vem com uma história escrita de um jeito bem descontraído e sempre há uma preocupação em cozinhar para crianças, em algumas receitas há ressalvas como: se for para crianças reduza alguns temperos, outras são mais diretas: as crianças amam isso. Outra particularidade do livro é sobre usar as sobras: como congelar e guardá-las. As fotografias das receitas são obra de arte, algumas vezes me dei ao luxo de olhar e apreciá-las com um bom café quente.
Quem lê esse livro vai acabar amando limão siciliano, eles estão em muitas receitas. Os últimos limões que comprei já adquiri o hábito de usá-los por completo, não desperdiço as cascas, nem que seja para incrementar um assado, acrescentar em sucos ou simplesmente usar como tempero secreto nas saladas.
Esse é um livro é pura diversão para quem cozinha por prazer!

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Livro: "O Homem que Calculava"



   O livro "O homem que calculava"  do Malba Tahan é um livro que li na juventude e foi muito interessante lê-lo novamente. Lembrar do problema dos 35 camelos, da aluna "invisível" e refletir em assuntos da vida, sejam eles matemáticos ou não, como a história sobre o x da vida.
  Ainda não consegui eleger qual a minha história favorita, mas o segundo capítulo, onde é apresentado a habilidade de contar do Beremiz ( nome do homem que calculava) sempre me impressionou.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Ler - uma experiência sensorial





   Quando pensamos em ler, exercitamos os nossos sentidos, a nossa imaginação reacende experiências e gostos.
   As várias técnicas artísticas empregadas em uma capa de livro nos chamam a atenção e pode ser um fator importantes na escolha de um livro. Quando olhamos a capa do livro: “Minha vida de menina” da Helena Morley é como se tocássemos em uma pintura áspera de guache, o título e o nome da autora imita uma escrita de uma caneta de pena que nos traz a memória do barulho da caneta de pena no papel. O nome da autora tão destacado como o título, nos faz refletir: quando aprendemos a escrever o nosso nome - é o máximo.
   Continuando percebemos que o livro foi feito em papel nobre, levemente amarelado, tem um tamanho bom, é fácil de segurar. Quando decidi ler e mergulhei na leitura, as risadas, o jeito direto e muitas vezes inocente da narrativa me levou a pensar:
   -Que livro divertido, vou ler devagarinho para saborear cada ideia, rir de todas as aventuras e voltar a ser criança, ser adolescente nem que seja pela imaginação, afinal, em imaginação podemos ser jovens para sempre.
   Desfrutar dos deleites de um bom livro, exercitar os sentidos, deixar a imaginação nos divertir é o prazer que uma boa história nos proporciona...

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O livro: Quarto de despejo de Carolina Maria de Jesus


  No final da década de 1990 a TV Cultura reprisou algumas reportagens importantes, em uma dessas reprises foi contada a história do livro Quarto de Despejo. Fiquei impressionado com o que foi contado sobre o livro e decidi lê-lo.
  É um livro difícil de ser encontrado, acredito que esteja esgotado, mas recentemente o encontrei na biblioteca municipal aqui em Jaú – SP. Pela capa percebi a sua importância, a edição que emprestei é de 1976 e nessa época o livro já tinha sido traduzido para 13 idiomas
  O livro é um diário real de uma mulher que cria sozinha seus três filhos trabalhando como catadora de papel e outros itens recicláveis, o que ela consegue catar é vendido para comprar comida e outros itens para a sua família. No livro é bem descrito o cotidiano da favela onde morava, seus moradores, as suas dificuldades, a luta pela sobrevivência..
  É uma leitura reflexiva e cativante que abre caminhos para se pensar em diversos assuntos: a fome, a discriminação, o lixo, política, vícios, relacionamentos, infância, coragem, criação dos filhos, exemplos dos pais, diversão, esperança, religiosidade, educação, trabalho...
  Quarto de Despejo marcou a literatura do Brasil. O fato de ele ser apresentado na TV Cultura como fato marcante do século XX já é um convite para a sua leitura.